Até 80% das mulheres desenvolvem hipertensão após a menopausa

Até 80% das mulheres desenvolvem hipertensão após a menopausa

mulheresQuando se fala em menopausa, a maioria das mulheres pensa nas ondas de calor e na osteoporose. Poucas sabem que, nesta fase, é preciso se preocupar também com um mal silencioso, que não provoca sintomas iniciais, mas que pode trazer sérias complicações à saúde: a hipertensão arterial. “Com o critério atual de diagnóstico – com pressão sistólica, ou máxima, igual ou superior a 140 e a diastólica, ou mínima, maior ou igual a 90 mmHg –, a prevalência de hipertensão feminina varia de 22,3% a 43,9%, especialmente entre as mulheres com sobrepeso ou obesidade. Este número aumenta com o avançar da idade e a partir da menopausa: dados recentes indicam que até 80% das mulheres irão desenvolver hipertensão arterial a partir desta fase”, explica Graziela Lanzara, coordenadora médica do Programa de Gestão de Doenças Crônicas do Fleury, que explica na entrevista a seguir os motivos pelos quais as mulheres devem ter especial atenção a esse problema.

As doenças cardiovasculares provenientes da hipertensão estão entre as principais causas de morte da mulher?
A hipertensão arterial é um dos mais importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares, que incluem acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio, além da doença renal crônica. As doenças cardiovasculares já representam 1/3 de todas as causas de morte entre as mulheres brasileiras. Por este motivo, a hipertensão é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o diabetes, 50% dos casos de insuficiência renal grave.

A partir de que idade a mulher deve se preocupar com sua pressão arterial?
Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, todo indivíduo com mais de 20 anos deve medir a pressão arterial ao menos uma vez ao ano, mesmo aqueles sem qualquer sintoma. As mulheres até a menopausa têm hormônios que protegem os vasos e favorecem o bom funcionamento do fluxo sanguíneo, apresentando, portanto, menor chance de desenvolver hipertensão arterial e doenças cardiovasculares que os homens da mesma idade. Entretanto, a partir dos 40 anos esta prevalência tende a aumentar. Após a menopausa, as mulheres passam a apresentar prevalência de hipertensão maior que os homens.

Por que mulheres no período da menopausa tendem a desenvolver hipertensão?
A hipertensão arterial acomete a mulher geralmente entre 45 e 55 anos, ou seja, no início do climatério, quando a produção de estrogênio pelos ovários decresce gradativamente até cessar com a menopausa. Com isso, a mulher perde a importante proteção cardiovascular promovida pelo estrogênio.

Existe algum sintoma clínico que aponte uma possível hipertensão?
A hipertensão arterial é uma doença que comumente não apresenta sintomas alarmantes ou claramente identificáveis, por isso é extremamente traiçoeira. Para muitas pessoas o primeiro sintoma da hipertensão já será relacionado com uma de suas complicações, como infarto ou AVC. Às vezes, em algumas pessoas, como as que sofrem de hipertensão mais grave, os sintomas podem ser mais fáceis de serem identificados, como dor de cabeça intensa, borramento visual, tontura, mal-estar, falta de ar e dor no peito. Porém, nessas situações, provavelmente já temos prejuízos importantes da pressão mal controlada.

Como deve ser feito o controle da doença? Existem recomendações específicas para a mulher hipertensa?
O primeiro passo para controlar a pressão arterial é fazer mudanças no estilo de vida, como parar de fumar, diminuir o consumo de sal e álcool, fazer exercícios regularmente e manter um peso saudável. Para as mulheres hipertensas é especialmente importante que conversem com seus médicos sobre interromper o uso de medicamentos anticoncepcionais, que aumentam as chances de evoluírem com tromboses, entupimentos dos vasos sanguíneos e, sua complicação mais grave, a embolia pulmonar – quando parte dos coágulos sanguíneos migra até o pulmão causando um quadro muito grave. Concomitante a estas mudanças, o médico pode indicar tratamento com medicamentos hipotensores. É fundamental que todo hipertenso mantenha acompanhamento regular com seu médico e faça exames periódicos indicados por ele, procurando rastrear e prevenir as complicações relacionadas à doença.

Como prevenir?
A prevenção da hipertensão também passa pelas mudanças no estilo de vida. É preciso manter atitudes e formas de viver saudáveis, que incluem cessação do tabagismo, exercícios regulares, dieta equilibrada e pobre em sal, controle do estresse, redução do peso e diminuição do consumo de álcool.

De maneira geral, que outras alterações podem estar relacionadas à menopausa?
A diminuição dos níveis de estrogênio e progesterona que ocorre na menopausa traz alguns sintomas desagradáveis como as ondas de calor, acompanhadas de rubor no rosto, sudorese, taquicardia, ansiedade e ressecamento vaginal. A diminuição da ação do hormônio favorece também a perda de massa óssea – especialmente em mulheres de raça branca ou amarela –, que é mais frequente quando há história familiar de osteoporose e nas mulheres tabagistas e sedentárias. Outro aspecto importante é que nesta fase as mulheres estão mais sujeitas a quadros depressivos. Tendo isso em mente, podemos nos antecipar e, em tempo, optar por hábitos de vida saudáveis e um bom acompanhamento médico.

Fonte: Graziela Lanzara, coordenadora médica do Programa de Gestão de Doenças Crônicas do Fleury



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