Brucelose

A brucelose é uma zoonose, e a forma humana é causada por uma das quatro espécies: Brucella melitensis, a causa mais comum em todo o mundo, adquirida pelo contato com cabras, carneiros e camelos; Brucella abortus, adquirida por contato com bois; Brucella suis, com porcos; e Brucella canis, com cães.

O contágio se dá pelo contato com a pele ou por ingestão de secreções contaminadas por esses animais. Tais bactérias mantêm-se viáveis em solo seco por cerca de 40 dias, e no caso de solo úmido esse prazo é ainda maior. São destruídas pela pasteurização e fervura, mas resistem ao congelamento.

A contaminação relacionada à ocupação profissional, como é o caso de fazendeiros, veterinários, processadores de carne, são a fonte mais freqüente. Na população em geral, a fonte mais comum de contaminação é a ingestão de leite e derivados não-pasteurizados e o consumo de carne crua. Pode ser transmitida de pessoa a pessoa, pela placenta e durante a amamentação, e são citados casos raros de contaminação por atividade sexual.

A infecção pode distribuir-se amplamente pelo organismo, causando lesões praticamente em qualquer órgão, com mais freqüência no coração, ossos e articulações, tratos respiratório, gastrointestinal e geniturinário, globo ocular, pele, sistema nervoso central e sistema endócrino.

O quadro clínico inicial é comum a outras doenças febris. O período de incubação dura em média de 1 a 3 semanas, podendo, em alguns casos, durar vários meses. A multiplicação intracelular do microrganismo ocorre nos gânglios linfáticos e sistema reticuloendotelial. A gravidade do quadro é variável, podendo apresentar-se com comprometimento leve a grave. O quadro apresenta sintomas comuns como febre, mialgia, cefaléia, anorexia, artralgia e lombalgia. O exame clínico pode ser pouco expressivo ou apresentar linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, dor à palpa-ção da coluna vertebral, dor abdominal e outras manifestações.

O diagnóstico preciso é feito mediante a associação de história compatível com probabilidade de infecção, sinais clínicos e dete-cção de anticorpos por reações de aglutinação (com ou sem cultura positiva de sangue e tecidos). O diagnóstico é de grande importância no período pré-natal, pois pode levar à morte fetal.

Os antígenos bacterianos têm a capacidade de induzir a formação de anticorpos específicos, inicialmente da classe IgM e logo após das classes IgG e IgA . Esses anticorpos aparecem a partir da segunda semana da doença, com picos entre a terceira e sexta semanas. Títulos maiores ou iguais a 1/160 são considerados significativos quando encontrados em região não-endêmica. Em áreas endêmicas e em profissionais de alto risco de contaminação, são considerados significativos títulos iguais ou acima de 1/320.

Altos títulos de IgM indicam infecção aguda; altos títulos de IgG, infecção em atividade; quando mais baixos, podem significar infecção passada. Recomenda-se a análise pareada com intervalo de 2 semanas na avaliação dos casos duvidosos: variações de quatro vezes o título anterior são sugestivas de infecção aguda. Reações com títulos baixos podem ser encontradas em pacientes vacinados contra febre tifóide. Podem ser encontradas reações cruzadas por infecção por outras bactérias e após intradermorreação, com antígenos de Brucella.